Resenha: A última carta de amor – Jojo Moyes

“E, se sentir que foi a decisão acertada, saiba ao menos isso: em algum lugar deste mundo há um homem que a ama, que entende o quão preciosa, inteligente e boa você é. Um homem que sempre a amou e que, por mais que tente evitar, desconfia que sempre a amará.” – pág. 226

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A última carta de amor é muito mais que um livro de capa bonita. É uma história deslumbrante. Daquelas que você se arrepende de nunca ter escrito, de tão bem pensada e tão maravilhosamente bem escrita. É divido em três partes, alternando passado e presente, até as duas histórias se encontrarem de uma forma inesperada. A autora do livro, jornalista e escritora, nos faz lembrar do poder das palavras escritas, o quanto elas podem carregar e de quanto sentimento cabe em um rastro de tinta em uma folha de papel.

Nos dias de hoje ninguém presta atenção no quanto as palavras são sim importantes e o quanto fazem diferença na nossa vida. Além disso, o livro nos mostra que vale a pena correr atrás da nossa felicidade, independente dos sacrifícios que serão feitos. São duas mulheres, duas épocas diferentes, e a mesma história extraconjugal. A autora mostra os dois lados da moeda, e nos faz parar e pensar em relação ao destino e desencontros que a vida dá sem nem ousarmos sonhar.

Jennifer sofre um acidente de carro e perde a memória, não consegue se lembrar de nada. Ao voltar para a sua casa e seu marido, aos poucos, pequenos fragmentos vão voltando a sua cabeça e ela começa a encaixar as peças do quebra-cabeça de sua vida. O drama começa quando ela encontra, dentro de um livro, uma carta de amor. Ela percebe que é endereçada a ela e assinada apenas por uma letra: B. A partir de então, começa a sua busca por esse grande amor perdido no tempo.

A história de Jennifer é passada nos anos 60, em Londres. Submissa ao marido, em uma época onde não era permito a mulher ter seu próprio pensamento, quanto mais um novo amor. Ao encontrar um homem que a valoriza pelo que ela é, que gosta de saber sua opinião, e que não está atraído apenas por seu belo rosto, ela se encanta e se apaixona por B. O problema é que ela tem um marido, e naquela época uma mulher divorciada estaria condenada perante os olhos da sociedade.

Ellie é a mulher que acompanhamos no presente. É jornalista, e uma das cartas de amor aparece em suas mãos por acaso. Ela é independente, nunca se preocupou com maridoefilhos (uma palavra só, como ela costuma dizer) e está em um caso extraconjugal com John. Ao ler esta carta cheia de amor e esperança, ela começa a se perguntar se o seu relacionamento a levará a algum lugar, e se John a ama realmente como o amor expresso naquele pedaço de papel. Para escrever uma matéria no seu jornal, ela resolve investigar qual a história por trás dessa carta misteriosa entre dois amantes. Mal sabe ela que isso irá mudar a sua vida.

A narrativa consegue te prender de uma forma desconcertante. A alternância de passado e presente acontece sem aviso, e mesmo assim a história consegue fluir de uma forma tão leve que o autor não fica confuso com essa troca de época. É uma trama sensível e encantadora, mas permeada por dor, perdas, começos e recomeços, que nos fazem questionar sobre coragem e escolhas.

A Última Carta de Amor começa como um livro triste, mas vai se transformando… Crescendo, trocando de pele e, quando você menos espera, termina como um belo livro, encantador e repleto de esperança. Uma linda metamorfose. Aproveitem cada página. De corpo e alma. Vicariamente.

Daniela Schwanke

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