Aprendendo e viajando com o jornalismo

Depois de um tempo sem escrever aqui, resolvi compartilhar um texto que fiz para a aula de redação jornalística II.

Bom, minhas aulas começaram nessa semana e a primeira aula de redação foi bem divertida. Nossa professora deu três possíveis temas para uma história. Poderíamos escolher qualquer um. Eis o que eu escolhi: ”Retirada de navio levará de 7 a 10 meses diz defesa Civil Italiana”. 

Tivemos 30 minutos para escrever e essa foi a história que saiu.

Memórias da minha juventude em um oceano 

Quando eu era criança, meu pai me levou para pescar. O que existe de tão especial nisso? Nada, eu suponho. Até me parece um pouco clichê. Pois bem, ao entrar no mar, senti algo único. Incrível. A sensação de estar em um oceano, me deu uma nova perspectiva sobre a vida. Tudo bem, isso foi mais clichê ainda.

Conforme os anos iam passando, comecei a me apaixonar ainda mais pelo mar. Por barcos, navios. Qualquer coisa que tirasse meus pés da terra. Até então, não havia experimentado nada igual. Nem imaginava que me apaixonar me traria a mesma sensação.

Tirar os pés do chão não é nada comparado ao que senti ao olhar para aquela menina pela primeira vez. Desesperado e sem saber o que fazer para chamar sua atenção, resolvi levá-la para pescar. Que grande ideia! Foi o que pensei.

Me aproximei, ainda que timidamente, daquela menina de olhos profundos e castanhos, cabelos perfeitamente escovados e perfume adocicado. Se isso não faz um garoto estremecer, me pergunto o que mais faria.

Arrisquei um olá e tive sorte. Ela me lançou um olhar divertido e respondeu com a voz mais bela e doce do universo: olá. Antes que perdesse a coragem, falei tudo de uma vez: o que você acha de sair para pescar comigo? Só se você quiser. Esperei o não. Imagine minha surpresa quando ela riu e aceitou. Tratei de sumir logo dali, antes que ela mudasse de ideia.

Corri para casa, a fim de me arrumar para o grande encontro. Chamei meu pai e pedi gentilmente o barco de pesca emprestado. Estava aguardando a pergunta: para que você precisa dele?, quando fui surpreendido por um: filho, nós vendemos o barco.

Então, com todo o meu charme e drama de adolescente, saí de casa aos prantos, declarando que minha vida havia chegado ao fim. Coitado do meu pai. Como ele poderia me entender, se nem eu entendia a mim mesmo?

Resolvi enxugar as lágrimas e explicar para minha musa inspiradora os últimos acontecimentos. Se já havia ficado em choque por ela ter aceitado meu convite, calcule o choque da cena que eu estava prestes a ver. Minha menina dos olhos castanhos profundos, cabelos perfeitos e perfume adocicado, aos beijos com outro cara. Não bastasse isso para partir meu coração, reparei que eles estavam em um NAVIO. Sim, um NAVIO. Como eu competiria com isso?

Com o passar dos anos, trabalhei duro e comprei meu próprio navio (inveja?). E quer saber? Era bem melhor que o do sujeito. Minha vida era boa. Mas foi quando estava de férias na Itália que eu vi ela virar de cabeça para baixo. Literalmente. Ao enfrentar uma forte tempestade, percebi que meu novo navio não iria aguentar. Me preparei para o fim e chorei baixinho.

Meses depois, a defesa civil encontrou meu belo e caríssimo navio. Alegaram que levaria de 7 a 10 meses para retirá-lo. E eu? Sobrevivi, claro. Acontece que o tal do rapaz que beijou minha garota anos atrás, estava passando por lá e decidiu me salvar. Agora estamos quites.

Carolina Ignaczuk

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